Rondônia, 13 de dezembro de 2017

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27/07/2017 19:24

Porto Velho

Conflito agrário no Vale do Jamari: julgamento de fazendeiro ganha destaque na mídia nacional

Reportagem tendenciosa da BBC Brasil atribui conflitos agrários em Rondônia como "guerra" na Amazônia. Foto: Ex-presidente da associação dos produtores rurais de Ji-Paraná, Sérgio Suganuma.

Conflito agrário no Vale do Jamari: julgamento de fazendeiro ganha destaque na mídia nacional

Publicada no final da manhã desta quinta-feira (27), uma reportagem da BBC Brasil assinada por Amanda Rossi, com o título “O julgamento raro que expõe 'guerra' nas margens da Amazônia”, trata sobre a primeira sessão de julgamento do fazendeiro Paulo Iwakami, mais conhecido por “Paulo Japonês, dono da fazenda Tucumã, em Cujubim, seu gerente Sérgio Suganuma (ele era a época presidente da Associação Rural de Ji-Paraná) e os "seguranças" Rivaldo de Souza, Moisés Ferreira de Souza e Jonas Augusto dos Santos Silva.

Os crimes ocorreram em janeiro de 2016, na área rural de Cujubim, onde Paulo, Sérgio, Rivaldo, Moisés e Jonas são acusados de matar Alysson Henrique de Sá Lopes (“Bá”) e Ruan Lucas Hildebrandt de Aguiar, bem assim tentaram matar as vítimas Renato de Souza Benevides, Raimundo Nonato dos Santos (“Neguinho Atalaia” ou “Maranhão”) e Alessandro Esteves de Oliveira (“Pipi”), segundo denúncia do Ministério Público de Rondônia. O julgamento está previsto para começar no próximo dia 15 de agosto, em Ariquemes.

A reportagem aponta que "o episódio expõe a tensão nas margens da Amazônia. Mapeamento da BBC Brasil com base em dados da organização internacional Global Witness mostra que 9 de cada 10 ativistas brasileiros que lutam pela terra (como sem-terra, trabalhadores rurais e indígenas) ocorreram na Amazônia Legal - que engloba 8 estados e parte do Maranhão, Rondônia é o estado com o maior número de vítimas".

A reportagem também ouviu a Comissão da Pastoral de Terra (CPT), representada pelo agente pastoral e ex-padre Jorge Iborra Plans. Este defende as invasões de terras violentas praticadas pelos "movimentos sociais", em específico a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) , e acusa da segurança pública de ser parcial.

Tanto que o ex-padre disse ao jornal Diário da Amazônia, em fevereiro de 2016, sobre a violência no Vale do Jamari. O agente pastoral e ex-padre Jorge Iborra parece que não vem acompanhando o noticiário e as investigações feitas pela Polícia Civil. Ele acredita que haja uma “criminalização” dos movimentos sociais. “A segurança pública de Rondônia vem atuando de forma muito parcial. Apenas criminalizando os sem-terras e acusando-os de violência. Na realidade o que há é uma reação muito violenta dos fazendeiros que grilaram as terras. A maioria são terras públicas (sic). Uma foi até expropriada pelo Incra para reforma agrária e, na realidade, estão reagindo de forma violenta contra qualquer pretensão de que a terra sejam destinadas à reforma agrária”, disse o representante da CPT.

A matéria aponta que Ivan Pereira da Costa, jornalista do norte de Rondônia que cobriu a história, foi vítima de atentado a tiros na frente da sua casa em Cujubim, em abril de 2016, e teve que sair da cidade. A BBC Brasil não conseguiu encontrá-lo. “Me calaram. Não posso continuar na cidade e nem com o site”, disse em entrevista na época, para o G1 de Rondônia.

Neste ponto a reportagem da BBC Brasil não apurou, mas a verdade é que o jornalista reconheceu o atirador que o acertou, em duas vezes, como sendo um elemento que pertencia a LCP em Cujubim. Estes fatos foram registrados no boletim de ocorrência da tentativa de homicídio, tanto que essas informações foram apuradas e divulgadas pelo Rondôniavip na época.

Sobre o assunto do crime contra o jornalista, a apuração da repórter da BBC diz: “Segundo o MP de Ariquemes, ainda não é possível saber se esses casos estão relacionados ao crime principal”. Na verdade, a reportagem do Rondôniavip fez uma consulta ao inquérito que deveria por fim a impunidade neste crime, cujo inquérito foi instaurando em 19/05/2016 e o Ministério Público concedeu baixa logo no dia seguinte sem especificação de diligências. Ou seja, não houve conclusão de investigação neste caso.

A reportagem publicada na Folha de São Paulo ouviu o Ministério Público Estadual, por meio do promotor Anderson Batista de Oliveira, da promotoria de Ariquemes, que reconheceu a violência na região, e pontuou que a violência é dos dois lados, tanto de invasores (membros de “movimentos sociais”, como alega o padre Jorge Iborra Plans, da CPT) quanto de fazendeiros. “Casos de assassinato de proprietários rurais ou de seus funcionários também ocorrem, segundo as fontes ouvidas pela BBC Brasil. E também há episódios de violência, sem morte, dos dois lados”, aponta a matéria.

O promotor também destaca que “Aqui há muita terra pública grilada. Quando algum grupo invade a terra, a solução de ambos os lados é violenta. Há casos, por exemplo, em que os invasores matam animais, queimam pasto, disparam arma de fogo nas redondezas. Até o ápice, mais raro, que é a invasão total da sede da fazenda", completou Oliveira.

Sem estrutura

Nas entrelinhas, o Ministério Público Estadual reconheceu que não há estrutura mínima para combater os conflitos agrários no Vale do Jamari. “As características da Amazônia dificultam o combate a esses crimes. São fatos que ocorrem na selva, em áreas de grandes latifúndios, há centenas de quilômetros da cidade, onde não pega celular, com muitas rotas de fuga e esconderijo e onde qualquer presença diferente é facilmente percebida. Não vai ser a investigação convencional para delitos urbanos que vai elucidar esse tipo de crime cometido na zona rural. Infelizmente, não existe estrutura na Polícia Civil e no Ministério Público para fazer essa investigação”, explica o promotor de Justiça Anderson Batista de Oliveira.

Problema institucional

Já a Polícia Civil, que vem trabalhando há anos para tentar solucionar os conflitos agrários no Vale do Jamari, aponta que o problema é muito maior, sendo principalmente ligado ao Instituto Naconal de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Na reportagem da BBC Brasil, o delegado Mário Jorge Pinto Sobrinho, da delegacia de conflitos agrários de Rondônia, convive diariamente com a violência no campo. Para ele, o grande problema da violência no campo é a ausência da reforma agrária. “Se o Estado fizesse reforma agrária, Rondônia não estava nessa briga toda. O Incra está acabando em Rondônia, sem servidores”, desabafou ele.

Outro lado da história

Por fim, a reportagem diz que “o julgamento é esperado com grande expectativa por movimentos sociais do campo de Rondônia. A Comissão Pastoral da Terra está organizando uma vigília de oração na véspera, dia 14 de agosto, em Ariquemes, onde será realizado”.

O título da reportagem é “Julgamento raro que expõe ‘guerra’ nas margens da Amazônia”. Porém, mais raro ainda é o processamento e julgamento de criminosos que se infiltram nos movimentos sociais para incitar a violência e ações.

A própria CPT joga lenha na fogueira, apoiando esses movimentos, travestidos de sociais, mas que contam com criminosos envolvidos em roubos e mortes, conforme investigações policiais, que assaltam comércios e lotéricas em pequenas cidades do interior para financiar as ações de invasão de fazendas.

Também é importante lembrar que só em 2016, foram assassinados os fazendeiros Hiran Alves de Cristo, em Campo Novo, Divino Tristão, em Monte Negro, e tantos outros que sofreram tentativa de homicídio, ligadas a invasões de suas propriedades. Sem tanto destaque nacional e análise da BBC Brasil e Folha de São Paulo, estes crimes estão até hoje sem solução, no esquecimento e impunes.

Como é sabido, vários jornalistas da Folha de São Paulo apoiam movimentos sociais baseados em ideologias comunistas e de esquerda. Muito provavelmente, o assunto foi levantado pela Comissão Pastoral da Terra, que defende arruaceiros disfarçados de pobres coitados e querem usar esse julgamento para atrair a opinião pública para o lado deles. Porém, qualquer habitante do Vale do Jamari já sabe que a maioria absoluta é contra as ações de invasões na região. Só aqui no Rondôniavip, temos diversas reportagens e artigos sobre o assunto, contendo opiniões contrárias da população.

Lendo a reportagem, fica clara a falta de imparcialidade e o desconhecimento da BBC Brasil em relação ao tema. Quem vive aqui, sabe muito bem da realidade. Pior mesmo, é quem já sofreu na pele com invasões de terra com bandos armados e encapuzados. Não escaparam nem as pequenas propriedades rurais entre a região entre Monte Negro e Buritis.

Outro ponto interessante é o espaço dado para “defesa dos acusados”. Foram separados sete parágrafos para “ouvir” os argumentos dos advogados de defesa, enquanto há para os “membros de movimentos sociais”, 28 parágrafos.

Por que a repórter não veio até Rondônia e tentou entrar em um dos acampamentos da própria LCP? Provavelmente seria recebida a tiros, por ser desconhecida, a exemplo de quando qualquer viatura da Polícia Militar tenta se aproximar de um desses locais para abrigar os “soldados da reforma agrária e da luta pela terra”.

Ah, por fim: por que também a reportagem da BBC Brasil não citou a apreensão de 48 pessoas em um acampamento na região de Cujubim? Lá, uma fazenda foi queimada e destruída, com um triciclo roubado, celulares dos funcionários da propriedade, um gerente torturado por várias horas e tiros em direção do helicóptero do Núcleo de Operações Aéreas (NOA) da Sesdec.

Por várias partes do acampamento Enilson Ribeiro 2 havia bandeiras da LCP. Além disso, foi encontrado forte armamento, incluindo um fuzil AK-47, que normalmente passa pelas mãos de organizações criminosas de grandes cidades como PCC e Comando Vermelho.

Separando o joio do trigo, no final das contas, 39 pessoas já foram encaminhadas para diversos presídios rondonienses. Os crimes? Roubo, esbulho possessório, integração de organização criminosa, tortura e tentativa de homicídio de agentes públicos no exercício na função.

Nós, do Rondôniavip, estamos a serviço da notícia, apresentada com correção, isenção e imparcialidade. E neste caso, quem está correto são as forças de segurança pública que combatem todos os dias a violência no campo, que prejudica tanto as famílias que trabalham dia a dia, quanto os donos de propriedades rurais, que querem desenvolver a economia do Vale do Jamari. E não a apenas movimentos sociais que defendem o conflito armado em prol de ideologias e ameças contra a imprensa e contra membros de qualquer órgão público, como fez por exemplo, a própria LCP em um tal manifesto após a prisão dos seus 48 membros, encapuzados e armados, onde classificam a imprensa como “porta voz da polícia e do latifúndio” e acusa o comandante da Polícia Militar, Ênedy Dias, de “antigo perseguidor do povo e da LCP”.

Leia também:
* Polícia Civil indicia membros da LCP por crimes hediondos em Cujubim

* Rondônia: Morte em invasões é estratégia de movimentos sociais para “acelerar” reforma agrária


Fonte:RONDÔNIAVIP





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