Rondônia, 18 de outubro de 2017

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09/10/2017 13:56

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Latinos pagam suborno por serviços públicos, diz pesquisa

Um em cada três latinos paga suborno por serviços públicos

Latinos pagam suborno por serviços públicos, diz pesquisa

Quase um terço dos latino-americanos pagou suborno no último ano para ter acesso a serviços públicos como Saúde e Justiça, uma prática que não faz distinção de gênero, nem de classe social - revela uma pesquisa da ONG Transparência Internacional divulgada nesta segunda-feira (9).

Feita com mais de 22 mil pessoas de 20 países da América Latina e do Caribe, a enquete expõe um quadro de galopante corrupção na região, com especial desconfiança dos cidadãos em relação à sua Polícia e aos políticos.

O sistema termina arrastando parte da população. Pelo menos 29% dos cidadãos que usaram seis serviços públicos (Educação, Saúde, tirar documento de identidade, Polícia, Serviços básicos e Justiça) pagaram algum suborno nos 12 meses anteriores, relata a TI.

A organização calcula esse universo em cerca de 90 milhões de pessoas, sem diferenças significativas entre gênero, idade e classe social. O pagamento de suborno pode ser, porém, uma carga desproporcionalmente maior para os mais pobres, acrescenta a ONG.

"O suborno representa um modo de enriquecimento para uns poucos e um grande obstáculo para se ter acesso a serviços públicos fundamentais, em especial para os setores mais vulneráveis da sociedade", disse o presidente da Transparência Internacional, José Ugaz, citado em um comunicado.

O relatório destacou que, apesar das recentes manifestações anticorrupção no Brasil, na Guatemala e na Venezuela, quase dois terços (62%) dos entrevistados afirmaram que a corrupção aumentou.

Os mais corruptos? Policiais e políticos, segundo 47% dos consultados. No caso da Polícia, chega a 73% na Venezuela, e a 69%, no dos políticos no Paraguai.

Mais da metade dos entrevistados reprova a resposta dos governos, especialmente venezuelanos e peruanos, com 76% e 73%, respectivamente.

"Latino-americanos e caribenhos estão sendo espoliados por seus governos, sua classe política e pelos líderes do setor privado", disse Ugaz, destacando que o escândalo da "Lava Jato" no Brasil "demonstra que a corrupção está amplamente disseminada" na região.

Em meio a isso, uma grande maioria (70%) acredita em que os cidadãos possam ter um papel positivo na luta contra a corrupção, especialmente no Brasil (83%).

Ainda assim, menos de um em cada dez denunciam as irregularidades.

"Não surpreende", já que "a ameaça de uma represália violenta constitui um risco real", disse a TI.

De fato, 28% relataram terem sido punidos após fazerem uma denúncia por suborno.

"O suborno é uma experiência muito comum" na região, segundo a ONG, e varia substancialmente de país para país.

Enquanto 51% no México e 46% na República Dominicana afirmam terem pagado propina, 6% admitiram já terem feito o mesmo em Trinidad e Tobago, e 11%, no Brasil.

Essa maior incidência cai em relação à Saúde, com 20% dos entrevistados afirmando que pagaram suborno para obter o tratamento adequado, seguido de Educação e dos trâmites nos tribunais.

Na análise de cada país, os subornos à Polícia são mais comuns na Venezuela, registrando mais de 40%, o mesmo acontecendo na Justiça, também alto, com 36%.

No México, a corrupção está mais arraigada em escolas, hospitais e nos órgãos emissores de documentos de identidade.

A margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.


Fonte:AFP





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